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Auditoria interna: o que é, como fazer, relatório e mais

As Normas Regulamentadoras (NRs) em Saúde e Segurança do Trabalho (SST) visam proteger os trabalhadores brasileiros e otimizar procedimentos dentro das organizações. Para garantir esses objetivos, suas determinações exigem alguns processos, como exames, treinamentos, auditoria interna e externa.

O que é auditoria interna em SST?

A auditoria interna em Saúde e Segurança do Trabalho é um procedimento preventivo que visa fiscalizar a rotina de serviços dentro de uma empresa.

Durante sua realização, são identificados agentes de risco e desenvolvidas propostas para melhorias das condições de trabalho. Além disso, o processo é uma oportunidade para reforçar os conhecimentos dos colaboradores voltados para a prevenção de acidentes.

Dentre as vantagens da realização das auditorias está também a diminuição do risco de autuações emitidas pela fiscalização da Secretaria de Inspeção do Trabalho.

São questões analisadas em uma auditoria interna:

  • Saúde;
  • Limpeza;
  • Disciplina;
  • Qualidade;
  • Manutenção;
  • Infraestrutura;
  • Documentação;
  • Respeito às NRs;
  • Conhecimento sobre SST;
  • Segurança dos trabalhadores;
  • Processos e padronização de atividades.

A principal diferença entre auditoria interna e auditoria externa é que a segunda requer a contratação de uma empresa terceira para inspeção das condições de Saúde e Segurança do Trabalho.

Curso de auditor interno

Os parâmetros a serem analisados por uma auditoria interna estão presentes nas NRs, nos textos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) voltados para a atividade fim da instituição, nas diretrizes da Organização Internacional para Padronização (ISO) e nas orientações da Fundação Jorge Duprat e Figueiredo (Fundacentro).

A Fundacentro é, inclusive, uma das organizações capacitadas para realizar cursos de auditor interno.

Como é feita uma auditoria interna

Para desenvolver uma auditoria interna de qualidade, a empresa deve, em primeiro lugar, elencar um profissional capacitado para desenvolvê-la.

O auditor interno deve criar um sistema de avaliação SST, identificar e mapear riscos relacionados às funções ocupacionais; verificar o cumprimento dos parâmetros de segurança estabelecidos pela empresa, prevenir acidentes de trabalho e divulgar a política geral da instituição. Em algumas situações, deve repassar esses valores inclusive aos subcontratados.

Quanto ao ambiente, é preciso analisar temperatura, instalações elétricas e sanitárias, níveis de ruído, ventilação, iluminação e ergonomia. Já com relação aos equipamentos e máquinas, os auditores internos devem estar atentos às:

  • Condições dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), do maquinário e das ferramentas;
  • Manutenção dos três itens citados acima;
  • Uso adequado pelos trabalhadores.

Para reduzir as situações não-conformes, o auditor interno deve compilar as situações encontradas em uma avaliação interna considerando a análise de riscos e a definição de mecanismos de controle.

De acordo com o Manual de Normas de Auditoria do Ministério da Saúde, as etapas de uma auditoria em SST são:

Planejamento

Que consiste em levantar os itens que serão inspecionados conforme o ramo de atividade da empresa e preparar um checklist para verificação.

Execução

A partir da lista de tópicos, identificar as situações conformes e não conformes; fazer a análise das funções, máquinas, equipamentos, infraestrutura, ventilação, iluminação, temperatura, ruído e tudo que envolver o ambiente ocupacional.

Relatar as peculiaridades observadas em campo, documentar o que foi evidenciado por meio de fotos, vídeos e relatórios.

Conclusão

Desenvolver relatórios descrevendo detalhadamente cada atividade avaliada sob o foco das não conformidades identificadas.

Por fim, elaborar um plano de ação a curto, médio e longo prazo para que as melhorias em SST sejam colocadas em prática.

Atenção! Uma auditoria interna não serve apenas para corrigir falhas. A avaliação bem executada pode, inclusive, evidenciar os pontos fortes da empresa e elencá-los como um diferencial diante a concorrência.

Potencializar e evidenciar as qualidades é uma estratégia interessante para melhorar o posicionamento da empresa no mercado.

Passo a passo

Na preparação da auditoria, deve-se analisar o os documentos que regem as atividades da empresa, como legislação e normas técnicas aplicáveis. Depois é feito o Plano da Auditoria (PA), elaborado de forma a permitir alterações durante o progresso da inspeção.

Deve-se, então, definir critérios da auditoria e documentos de referência.

A identificação das unidades e processos a serem auditados precisa ser descrita junto às datas, horários e locais de realização da auditoria interna.

Por fim, define-se a responsabilidades dos membros das equipes e as áreas de competência que devem criticar.

Segundo o artigo “Auditorias Técnicas de Segurança e Saúde no Trabalho da Construção”, de Luís Alves Dias e Roque Puiatti, a preparação, a execução e o relatório de uma auditoria interna se resumem a:

  • Análise dos documentos;
  • Plano de Auditoria;
  • Lista de verificação preliminar;

Seguido de

  • Reunião de abertura;
  • Auditoria in situ;
  • Reunião formal de conclusão;

E, para finalizar,

  • Descrição das atividades efetivamente realizadas;
  • Lista das não conformidades/cumprimentos observados;
  • Seguimento das atividades (plano de correção e/ou auditoria de seguimento.

Relatório Final de uma auditoria interna

Objeto de muitas dúvidas, o relatório final de uma auditoria, como explica o trabalho Planejamento da Auditoria de Saúde e Segurança no Trabalho, de Cássio Eduardo Garcia, deve conter a visão geral da inspeção, os métodos aplicados para análise, a descrição dos trabalhadores entrevistados, as atividades que merecem reconhecimento e as oportunidades de melhoria, os pontos críticos a serem corrigidos e o plano de ação para aprimoramento contínuo.

Auditoria interna digital

Há softwares capazes de auxiliar empresas na realização de auditorias internas. É o caso do GNRx, que rastreia as normas cabíveis e as principais diretrizes a serem fiscalizadas no ramo da instituição.

Com a tecnologia, o auditor ganha tempo e garante a conferência de todos os parâmetros relevantes por meio de checklists. Além da facilidade, um histórico fica salvo no aplicativo, garantindo o arquivamento e o fácil acesso às informações compiladas.

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